Técnica diminui o consumo e a locomoção da lagarta, matando-a dias depois.

A lagarta Spodoptera frugiperda é uma das pragas de maior importância econômica e mais respeitadas pelos agricultores brasileiros. E todo este temor tem suas explicações e justificativas.

Com um ciclo de vida de aproximadamente 30 dias, podendo variar conforme as condições ambientais, ela pode produzir uma numerosa descendência. No Brasil, país tropical, portanto com temperaturas médias mais elevadas, o número de descendência desta praga fica ao redor de 9 gerações durante o ano. Considerando que em média o número de ovos pode variar de 100 a 200 por postura e por fêmea, uma única fêmea pode produzir de 1.500 a 2.000 ovos.

São estes aspectos que, combinado com o fato de que esta praga ataca mais de 100 diferentes culturas, incluindo algodão, arroz, feijão, milho, soja, sorgo, entre outras, justifica e explica o seu elevado potencial de dano e temor.

A utilização de bioinseticidas seletivos aos inimigos naturais formulados a partir o baculovirus Spodoptera frugiperda multipe nucleopolyhedrovirus vem se mostrando com uma forte ferramenta no controle desta praga tanto pela sua eficácia quanto pelo seu residual.

No milho, os danos vão desde pequenas raspagens, perfurações nas folhas, até o alojamento no cartucho e na base das espigas, reduzindo a área foliar, produtividade e a qualidade de grãos. As larvas mais novas consomem tecidos da folha de um lado deixando a epiderme oposta intacta, o que caracteriza o sintoma de raspagem, momento onde o vírus deve ser aplicado.

No algodão, por exemplo, a Spodoptera frugiperda, se concentra especialmente nas folhas e na parte externa das brácteas, local onde ocorre a oviposição. Por este motivo é muito importante que a primeira aplicação seja realizada num estágio onde o produto via pulverização atinja folhas e as brácteas.

Após a ingestão pelas lagartas onde os poliedros virais estão distribuídos, o mesmo agirá diretamente nas células do intestino que por possuir pH alcalino, solubiliza os cristais de poliedros virais, provocando a infecção. Posteriormente, há redução do consumo do inseto e de sua locomoção, levando o mesmo a morte alguns dias após a ingestão. Portanto, o inseto não morre imediatamente após a aplicação.

Para assegurar a eficácia do vírus no controle das lagartas são necessários alguns cuidados que vão desde o pH da calda, que deve ficar entre 4,5 e 6,5, do horário de aplicação que deve ser feito nos horários onde a temperatura seja a mais amena possível, como ao entardecer e à noite e uma pulverização com a melhor distribuição possível.